Antiga cadeia pública
O ANTIGO PRÉDIO DA CÂMARA E CADEIA: HISTÓRIAS, CAUSOS E A ALMA CIDADÃ DE ANGRA DOS REIS
Localizado na Praça Nilo Peçanha, no coração do Centro Histórico, o edifício que abriga o Plenário da Câmara Municipal de Angra dos Reis vai muito além de sua imponência arquitetônica colonial. Ele é o verdadeiro palco onde se desenhou a alma política da cidade, guardando em seus registros oficiais e na memória popular os causos mais pitorescos da política caiçara.
Em 1668 o prédio da câmara e cadeia é construído, sendo o prédio histórico do poder público mais antigo da cidade. Atualmente é utilizado para as seções legislativas e se chama Plenária Vereador Benedito Adelino. A cadeia funcionava no primeiro piso e as grades ainda estão fixadas nas janelas. Somente em 1978 a delegacia foi transferida para o atual endereço. Até a década de 20, data em que temos o primeiro prefeito, a administração pública era exercida pelos vereadores escolhidos entre as famílias mais poderosas da localidade. Em 1876 um novo prédio da Câmara é construído, hoje sede do executivo municipal, Palácio Raul Pompeia.
AS RAÍZES COLONIAIS DO PARLAMENTO
Oficialmente reconhecido por sua imensa importância para o patrimônio fluminense, o prédio histórico foi tombado pelo INEPAC em 1982. Nos compêndios de história e nos registros da própria instituição, a fundação do legislativo remonta aos primórdios da colonização, estruturando-se de forma definitiva no núcleo urbano para intermediar as demandas da antiga vila diretamente com a Coroa.
Seguindo o modelo clássico do período colonial e imperial, o edifício acumulava uma dupla função:
O Pavimento Superior (Casa da Câmara): Onde os "homens bons" e os edis se reuniam para deliberar sobre posturas municipais, impostos e o abastecimento da vila.
O Pavimento Térreo (Cadeia Pública): Que funcionava como carceragem, mantendo sob a mesma estrutura a formulação das leis e o rigor do confinamento. Ali, os presos ficavam pedindo cigarro pelas frestas da janela para quem passasse. Dava um medo danado.
O LADO FOLCLÓRICO DO PLENÁRIO
Mais do que pedras seculares e decretos formais, a história da Câmara de Angra é feita de figuras pitorescas, discursos inflamados e causos que o povo angrense passa de geração em geração.
Ao longo das décadas, o casarão viu passar verdadeiros "personagens" da política local, figuras folclóricas conhecidas pelo timbre forte, promessas mirabolantes de palanque e tiradas bem-humoradas durante as sessões que paravam o centro da cidade. Era comum que os moradores se ajuntassem na praça em dias de votação importante apenas para assistir aos debates acalorados, que muitas vezes pareciam peças teatrais improvisadas. Personagens como o Seu Paixão, Seu Braz Farmacêutico, Seu Zeca Ananias, Seu Zé Elias, Srª Benedita Jorge, Dr. Carlos Alberto Gibrail, Dr. Arthur Jordão, Seu Sylvio Cancela, Seu Odir Plácido, e muitos outros que estão na memória de nossa cidade. Perguntar para qualquer angrense mais antigo qualquer história sobre esses personagens do parlamento angrense, dá uma imersão maravilhosa na história de nossa gente.
UM ROTEIRO TURÍSTICO E VIVO
Hoje, visitar o entorno da Praça Nilo Peçanha e contemplar a fachada deste monumento tombado é uma parada obrigatória para quem deseja entender Angra dos Reis em sua totalidade. O prédio continua pulsando atividade institucional, unindo a gravidade de sua história oficial à leveza dos causos populares que dão cor e vida à identidade angrense.